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SIGNIFICADO DE MATILHA

s.m.

Agrupamento ou conjunto de cães de caçã.

[Figurado] Cambada; reunião de vadios; ajuntamento de pessoas sem ocupação, sem trabalho e/ou que vivem na ociosidade.

[Marinha] Alcateia; grupo de submarinos que realizam um ataque em conjunto.

(Etm. de origem questionável)

 

SINÔNIMOS DE MATILHA

Matilha é sinônimo de: malta, súcia, bando, quadrilha, corja, alcateia, cambada, cainçada, canzoada.

 

DEFINIÇÃO DE MATILHA

Classe gramatical: substantivo feminino

Separação das sílabas: ma-ti-lha

Plural: matilhas

 

Origem dos cães domésticos

 

Desde o Chihuahua ao Dog Alemão, todos os cães derivam de uma mesma espécie, apesar de ser impossível determinar como era a aparência da primeira espécie de cão devido à ausência de fósseis, e por isso a dificuldade de os paleontólogos penderem a origem dos cães domésticos em favor do lobo, considerados mais próximos por seu comportamento ou do chacal ou do coiote, similares pelo tamanho. Finalmente, análises do DNA mitocondrial provaram que o lobo é o parente mais próximo do nosso cão e que a construção dos cromossomos é idêntica, portanto são também da mesma espécie. Devido a essas análises, as instituições científicas passaram a classificar os cães, que antes eram classificados como uma espécie autêntica (Lupus Familiaris), como uma subespécie de lobo, com denominação Canis Lupus Familiaris.

 


Os Homens e os Lobos


… Nenhum esqueleto de Canis Lupus Familiaris foi encontrado com os seres humanos antes de 30.000 anos antes de nossa era…
Nessa época o ser humano e os lobos apresentavam várias semelhanças na sua organização social que contribuíram para a sua aproximação…
• eram nômades;
• os homens se organizavam em torno da caça e da colheita. Os lobos em alcateias de 20 a 30 indivíduos. Eram predadores, comedores ocasionais de cadáveres e até mesmo vegetarianos;
• ambos caçavam presas variadas (lebres e castores) e animais bem maiores que eles (cervos, alces e renas);
• caçavam coletivamente, se adaptavam a todos os tipos de terreno e modificavam seu modo de abordagem de acordo com as circunstâncias. Os lobos escolhiam, de preferência, animais enfraquecidos e atacavam se revezando ou organizando verdadeiras incursões coletivas;
• os respectivos tipos de caça do ser humano e do lobo eram altamente elaborados e forçaram a formação de uma estrutura social e a sua hierarquização para ambos, onde participavam da caça os elementos mais fortes, portanto dominantes, machos e fêmeas e os outros aguardavam os frutos da caça no acampamento.
A mesma caça, o mesmo território, mesma técnica, mesma estrutura social… todos esses fatores contribuíram para a aproximação dessas duas espécies e, de fato, para que a domesticação de uma espécie seja possível é necessário à substituição do modo de vida, e quanto menor for a mudança, mais fácil se torna a adaptação.
 

 

A domesticação
 

A atração entre o homem e o lobo provavelmente foi mútua. Os humanos perceberam nos lobos enquanto caçavam seus uivos, e como funcionavam em sua comunicação e ponto de referência. Os homens deixavam comida e permitiam que se beneficiassem da proteção do fogo e, por sua vez, cuidavam da guarda do território. Depois a adoção de filhotes encontrados durante as caçadas, que depois de crescidos voltavam para as alcateias, até que um dia o homem conseguiu a fidelização de um deles.
 

 

As diferentes raças
 

A multiplicação das raças acontece logo após a fidelização dos primeiros lobos, por exclusão de tipo e comportamento. Na sociedade de hoje o cão se tornou cada vez mais um animal de companhia, e até mesmo um membro da família.

 


O comportamento do cão doméstico

 

O cão, se devidamente socializado com outros cães e humanos, “entende” a família humana como sua própria matilha, dessa forma ele deverá reproduzir o sistema de hierarquia estabelecido pelos cães selvagens na sua matilha e sempre haverá um dominante e um dominado. Se adaptarmos a educação dos cães à filosofia canina, poderemos evitar muitos problemas de comportamento devido a uma má hierarquização da “matilha” humana.

 

 

A comunicação

 

É impossível recorrermos à linguagem para estabelecer a comunicação, porém, se lhes faltam as palavras, eles ainda tem todo o resto, e é com este “resto” que podemos construir a comunicação.

 


Gestos e Entonações
 

Ao nos comunicarmos, junto com as palavras, uma série de elementos não sonoros como o tom da voz, as expressões faciais, o diâmetro das pupilas e os movimentos do corpo (postura e ritmo do seu encadeamento) compõe a comunicação. Com os cães o discurso será construído inteiramente por gestos e entonações. Assim, quando fazemos o cão se sentar, não é porque dizemos “senta!” que ele executa a ordem, mas porque associamos este som a gestos que sugerem o movimento a ser executado e foi recompensado por isso.

 

 

Hierarquia

 

Um ato associado à palavra pode corresponder a uma situação que tem significado hierárquico para o cão e implicar sua submissão. Dessa forma, são sinais não verbais que emitimos que reforçam ou prejudicam a mensagem.
ex. Imaginem que um cão macho sobe na poltrona que o dono reserva pra si habitualmente. O cão identificou a poltrona como um lugar importante a controlar para manter uma posição hierárquica dominante. Quando o dono o cão lhe dá a ordem para descer, ele pede ao cão para deixar uma zona importante na hierarquia familiar. Se ele fizer isso sem se perguntar se o cão vai ou não obedecer, sua entonação vocal, o olhar, a posição do corpo (levemente inclinado para frente) mostrarão ao cão que o dono se vê como o dominante. Em compensação se o final desse confronto parecer incerto para o cão (em sua entonação, fisionomia e corpo), poderá levar o cão a tentar ameaçar o dono para se posicionar hierarquicamente.
Esse tipo de situação pode rapidamente se transformar em um drama, se a falta de convicção do dono der lugar ao medo diante dos rosnados do cão, que passa então a se considerar como dominante.

 

 

A vida em matilha

 

O cão só pode viver bem no seio de um grupo estruturado, mesmo os cães de companhia, que não vivem mais em matilha, sentem necessidade, a cada encontro com outros cães, de marcar sua posição hierárquica. Essa necessidade deve ser respeitada pelo dono, para o bom equilíbrio do cão.
O comportamento do cão de companhia, derivado do comportamento dos cães em estado selvagem, obedece às mesmas regras. As diferentes fases de socialização descritas mais adiante a respeito do cão em matilha, também se observa quando o filhote se desenvolve dentro de uma família.
Para garantir sua sobrevivência no grupo e manter o equilíbrio dele, cada cão deve respeitar as regras que regem o comportamento da matilha. Em qualquer situação, os machos dominantes reivindicarão privilégios: matar a caça, alimentar-se e atribuição de território. Foi essa organização muito hierarquizada que permitiu ao cão se adaptar a todos os tipos de climas, caça e territórios.
A matilha de cães vive em um território, espaço coletivo organizado em torno de uma zona central na qual residem os machos e fêmeas dominantes com seus filhotes. Os outros cães se dividem em porções organizadas concêntricas, os indivíduos mais abaixo na hierarquia (machos adolescentes), os mais afastados do centro. Não e necessário grandes áreas para que essa organização aconteça.

 

 

O ritual das refeições

 

Os animais não se alimentam a medida de sua fome ou de sua chegada ao local da refeição. Os próprios filhotes não tem prioridade. São os machos dominantes que “abrem o banquete”. Rapidamente eles toleram a participação das fêmeas dominantes; o resto da matilha, inclusive os filhotes, devera esperar que eles lhes deixem a carcaça. Neste sistema, tudo é ostentação. O importante é ser visto comendo. De fato os dominantes comem lentamente, param assim que os dominados desviam o olhar ou se vão, para recomeçar assim que estiverem atentos novamente. Os dominados, quando chegar a sua vez, comerão vorazmente e serão muito agressivos durante toda a refeição. Em contra partida, se os dominantes são ameaçadores durante o inicio do banquete para manter os subordinados a distancia; a seguir, permitem que se aproximem adotando posturas de apaziguamento.
 

 

O comportamento sexual
 

A sexualidade é um dos pontos fundamentais da organização da matilha. Assim, como na alimentação, a ostentação tem fundamental importância. Os machos dominantes realizam o acasalamento na presença dos demais machos da matilha. A fêmea predileta é aquela que recebe a atenção do macho dominante, que brinca com ela e divide o local onde ele se retira. Para as fêmeas, tornar-se parceira de um macho dominante, significa conquistar uma posição social dominante. Muitas vezes as fêmeas jovens, por ocasião do primeiro cio, tentam atrair a atenção do macho dominante, e acabam por alvo das fêmeas que ocupam essa posição.

 

Fonte: caocerto.wordpress.com